Uma liderança que conecta

Uma liderança que conecta

Saiba por que a mulher não deve abrir mão de sua identidade para ganhar mais espaço no ambiente de trabalho

Muito se fala na presença ainda reduzida de mulheres no alto escalão de empresas, em cargos de diretoria ou nas chamadas posições de ‘C-level’. Conta-se nos dedos aquelas que hoje têm assento em conselhos de administração.

No setor público, o cenário é um pouco melhor, embora ainda haja espaço para que ocupem posições cada vez mais altas em estatais, agências reguladoras, autarquias, tribunais etc.

Quando mulheres atingem posições de comando nas organizações, ainda é comum ouvir comentários de que o sucesso na carreira se deveu à adoção de atitudes consideradas ‘masculinas’ pela sociedade.

“Ela é autoritária”, “Tem pulso firme”, “Centraliza tudo” ou “É uma gestora que não liga para emoções”, são algumas das atitudes que ilustram esse imaginário da mulher bem-sucedida. Raramente são lembradas as competências que a levaram a ocupar tal posição.

Essa percepção está tão arraigada que muitas mulheres acabam acreditando que o caminho para uma carreira promissora é abrir mão de suas características femininas e incorporar o estilo de trabalho dos homens.

É um erro grave.

Como então as características da mulher podem influenciar o meio organizacional e a sociedade onde ela vive?

 

Inteligência Emocional

Dados compilados de uma amostra global com mais de 10 mil pessoas feita a partir de resultados do EQ-i 2.0®, instrumento que mede a inteligência emocional (IE), indicam haver habilidades mais frequentes no sexo feminino.

Em geral, a pontuação delas foi bastante alta em itens como Empatia, Relacionamentos Interpessoais, Expressão Emocional e Consciência Emocional.

“A mulher tem facilidade para se escutar mais. Ela sabe compreender melhor os seus sentimentos”, destaca Chris Melchiades, COO do Grupo Fellipelli.

“Além disso, demonstra maior facilidade em estabelecer relacionamento interpessoal, gerando mais conexões e oportunidades de criar mais confiança no ambiente. Ela se expressa mais abertamente, tem grande capacidade de olhar para dentro e, ao mesmo tempo, de prestar atenção para as necessidades do outro”, completa.

Como hoje vivemos num mundo de incertezas, complexidades, ambiguidades e volatilidades, ter um amplo domínio de habilidades emocionais acaba se tornando um trunfo. O que se espera das mulheres, portanto, é que usem essas competências a seu favor.

É o que defende Nilima Bhat e Raj Sisodia, professores e autores do livro “Liderança Shakti – O equilíbrio do poder feminino e masculino nos negócios”. Para eles, homens e mulheres guardam dentro de si características do sexo oposto que não devem ser desprezadas. Muito pelo contrário!

“Podemos preferir estilos de liderança tradicionais masculinos ou femininos, mas isso significa que somos seres cindidos, funcionando a partir de uma metade apenas do nosso ser”, argumentam. “Como resultado, nós praticamente não funcionamos, já que a energia só flui quando as duas polaridades estão alavancadas”.

 

Liderança equilibrada

A ideia do ‘líder completo’ ou do ‘líder flexível’, defendida pelos autores, vem justamente da união dos melhores aspectos das naturezas masculina e feminina.

“Na prática, será mais fácil para as mulheres conquistarem esse protagonismo se equilibrarem suas habilidades emocionais com algumas características masculinas, como facilidade para solução de problemas e tolerância ao estresse, por exemplo”, diz Chris Melchiades.

“Muitas ainda têm abordagens de liderança que são ‘mulheres liderando como homens’, com resultados previsivelmente infelizes para elas próprias e para as organizações que lideram”, lamentam Nilima e Raj. O mesmo vale para os homens, que, segundo os autores, também não observam suas “qualidades inatas femininas”.

Adriana Fellipelli, CEO do Grupo Fellipelli, lembra que sob a ótica do Capitalismo Consciente, conceito que defende um novo papel para o capitalismo como gerador de desenvolvimento econômico e social – e não apenas de lucro –, a questão da liderança ganha importância fundamental.

“Para darmos conta de tudo, é preciso termos uma liderança que seja integral, inclusiva e equilibrada entre as diversas polaridades: energia do masculino e feminino, ativo e passivo, coração e razão”, defende.

“Cada vez mais, os desafios contemporâneos exigem uma liderança com características femininas, com suas qualidades ‘maternais’ traduzindo-se em todas as formas de cuidado. O feminino é o que cuida. E o mundo está precisando de cuidados”, afirma Adriana.

 

Foco na Visão

Se por um lado os dados levantados pelo instrumento EQ-i 2.0® apontaram traços tipicamente femininos, por outro também indicaram características menos frequentes entre as mulheres, como autoestima, capacidade de solução de problemas e tolerância ao estresse.

Uma boa forma de trabalhar essas competências é por meio do modelo ‘Escolha seu Foco’, adotado em sessões de coaching com base na neurociência.

Ele é útil por buscar sempre manter o foco da conversa na Visão, isto é, no objetivo ao qual se quer chegar; nos resultados esperados com essa conquista; e qual o significado que ela terá para você; entre outros pontos.

Por esse modelo, o foco da conversa jamais deverá se concentrar no problema.

“É claro que é importante entender o problema, mas nunca devemos nos apegar a ele. O foco deve estar sempre na Visão”, orienta Chris Melchiades.

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