Como o ego de C-Levels pode levar empresas lucrativas ao fracasso - Fellipelli
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Como o ego de C-Levels pode levar empresas lucrativas ao fracasso

Primeiros sinais vão desde dificuldades de relacionamento e incapacidade de ver oportunidades até forte resistência a inovações

O que é ego para você? Há quem defenda que ego é como um excesso de confiança – diga-se de passagem, nada saudável – sobre a sua importância para o mundo.

Outros preferem rotulá-lo como um momento de ruptura, ou seja, o ponto exato em que a confiança deixa de ser o que é e se torna pura arrogância.

Mas seja qual for a definição para ego, o fato é que especialistas concordam num ponto: uma pessoa com ego acima do aceitável pode causar sérios danos a ela mesma e ao seu entorno mais próximo – familiares, amigos e colegas de trabalho.

O risco maior, porém, é quando essa pessoa ocupa cargos de liderança. Nesses casos, o perigo é que suas decisões coloquem em xeque não apenas o futuro dos profissionais de sua equipe, mas a empresa como um todo.

“São pessoas com inteligência emocional em desequilíbrio”, alerta Chris Melchiades, COO do Grupo Fellipelli. “Elas costumam encontrar sérias dificuldades para lidar com ambientes de incertezas, complexidades, ambiguidades e volatilidades”, explica.

Se por um lado líderes com ego muito exacerbado demonstram elevada assertividade, alta expressão emocional e independência, por outro podem comprometer o trabalho em razão de relações interpessoais turbulentas e baixa empatia, por exemplo.

Ryan Holiday, autor do livro “Ego is the Enemy”, traça uma longa lista de problemas acarretados por quem confia excessivamente na sua capacidade de mudar as coisas, tais como:

  • Problemas de relacionamento, em função de “paredes” erguidas entre você e o resto da equipe;
  • Dificuldade para entender o mundo e, consequentemente, de levantar soluções para os seus problemas;
  • Resistência em receber feedback, uma vez que é incapaz ou não demonstra interesse em saber o que os outros pensam sobre você;
  • Incapacidade de criar ou reconhecer oportunidades, visto que você resiste em enxergar aquilo que está claro e bem diante dos seus olhos.

“Como então será possível se engajar, motivar ou liderar equipes se não conseguimos entender suas necessidades, uma vez que perdemos noção de quem realmente somos?”, questiona o autor em artigo no site The Huffington Post.

 

Não seja refém de suas ideias

A questão é bem mais complexa do que parece. Holiday não deseja que as pessoas não tenham mais confiança em si mesmas e nem prega a eliminação total do ego, até porque isso seria impossível.

O que ele critica é a falta de noção e de compreensão dessas pessoas sobre as suas reais habilidades. E a dificuldade delas em enxergar que tais atitudes podem comprometer seus resultados na vida pessoal e profissional.

Marc Andreessen, famoso investidor do Vale do Silício (EUA), vai direto ao ponto ao dar a sua visão sobre por que cometemos erros por omissão.

“É quase sempre porque temos uma teoria para justificar algo que não vai dar certo”, explica, em entrevista à Stanford Business, publicação da faculdade de negócios da Universidade de Stanford.

Ele lembra que é um erro bastante comum em pessoas com esse perfil desenvolver uma ideia e considerar apenas as evidências que irão referendá-la, ignorando todo o resto que poderá comprometer seriamente a iniciativa.

“Você acaba ficando refém de suas próprias ideias”, diz.

Pessoas com ego acima dos níveis aceitáveis tendem a acreditar que o que elas fizeram certo no passado tende a se repetir no futuro. Mas inúmeras experiências no mundo corporativo estão aí para provar exatamente o contrário.

“Você deve ter sempre a mente aberta e estar disposto a constantemente reexaminar as suas premissas. Retire o ego das suas ideias, o que é uma coisa bem difícil de fazer”, recomenda Andreessen.

 

Curso de Inteligência Emocional

Chris Melchiades, COO do Grupo Fellipelli, lembra que a discussão em torno de traços de personalidade vem ganhando cada vez mais espaço no mundo corporativo.

Recentemente, pesquisa da FGV Clear apontou que as empresas têm buscado um perfil profissional mais focado em aspectos comportamentais do que propriamente em habilidades técnicas.

“Como hoje tudo muda a cada instante, é natural que as empresas busquem profissionais com maior facilidade de adaptação a esse cenário de constantes mudanças”, explica.

“Dessa forma, o perfil que se destaca é o de quem conseguiu desenvolver uma mentalidade de crescimento, isto é, de quem trabalha para se tornar um profissional melhor a cada dia”, acrescenta.

Com o aumento do interesse pelo tema, o Grupo Fellipelli passou a organizar, desde o ano passado, o Programa de Desenvolvimento da Inteligência Emocional, com turmas no formato in-company. As aulas focam no autoconhecimento, percepções sobre si e o ambiente de trabalho, relações interpessoais e tomada de decisões, entre outros pontos.

Saiba mais sobre o Programa de Desenvolvimento da Inteligência Emocional

 

5 maneiras que o seu ego pode acabar com o negócio

 
Em artigo publicado na revista ‘Fast Company’, Patti Johnson, especialista em carreira e autora do livro ‘Make Waves: Be the One to Start Change at Work and in Life’, listou cinco situações em que um ego exacerbado pode colocar em risco o futuro da empresa:
 
1. Associar aprendizado com fraqueza
 
Muitos líderes pensam que precisam ter respostas prontas para tudo. Só que num mundo em constante mudança, saber tudo é quase uma missão impossível.
 
Fazer perguntas, ouvir os outros e buscar ajuda é fundamental para quem procura tomar sempre a melhor decisão. Fingir que você sabe tudo poder ser arriscado.
 
2. Considerar arriscado todo processo de inovação
 
Se você começar a pensar que o risco de fracasso em todo processo de inovação é muito grande e que não vale a pena seguir adiante, pare! Ponha na cabeça o seguinte: você tem que estar errado diversas vezes até encontrar a solução para um problema – especialmente se for algo novo ou pouco familiar.
 
“Se a sua medida de sucesso é baseada apenas nas suas conquistas pessoais, você vai acabar deixando de fazer aquilo que é melhor para o negócio ou considerar os riscos muito grandes para seguir em frente”, alerta Johnson.
 
3. Contentar-se com respostas do passado
 
As pessoas tendem a recorrer a experiências anteriores para tomarem decisões hoje. Esse recurso pode ser apropriado quando você tem poucas informações para lidar com situações familiares, mas ainda assim complexas.
 
Tome cuidado, porém, para não desconsiderar fatos novos. Às vezes lidamos com coisas totalmente novas para as quais nossa experiência pouco pode contribuir.
 
4. Reação pessoal aos problemas
 
Quando você deixa o ego guiar suas decisões, derrotas ou fracassos acabam ganhando uma carga pessoal muito grande. Achar que suas ideias não progridem porque os outros não gostam de você pode ser extremamente danoso para os negócios.
 
Concentre-se no impacto que suas propostas poderão ter e menos em como você se sente a respeito. Deixe que o resultado final te motive. “Para essas pessoas, derrotas são esperadas e gerenciadas. Não são vistas como portas fechadas”, diz a autora.
 
5. Sua definição de sucesso não está em você
 
Essa dica é importante para quem trabalha em determinado local apenas porque paga bem ou para quem toma decisões em benefício próprio – ainda que possam prejudicar a empresa ou as pessoas com quem trabalha.
 
Fique sabendo que ser movido por coisas que não estão na sua essência tem vida curta. É muito mais sustentável ter um objetivo maior de vida ou de carreira. Todos nós queremos ser bem-sucedidos. Mantenha-se focado no sucesso do grupo e não apenas no seu sucesso.

 

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A paixão de nossa consultoria de desenvolvimento humano é impulsionar cada indivíduo a explorar positivamente seu potencial através do autoconhecimento, proporcionando o seu crescimento e evolução na vida. Para isso, criamos valor com soluções de vanguarda e disseminamos nosso saber.

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